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Moraes pode se tornar primeiro ministro do STF a ser investigado na história

Moraes pode se tornar primeiro ministro do STF a ser investigado na história

Alexandre de Moraes Crédito: Rosinei Coutinho/STF

 

O Supremo Tribunal Federal (STF) se reúne nesta terça-feira (15), a partir das 10h, para decidir se autoriza a investigação do ministro Alexandre de Moraes. Se a medida for aprovada, será uma decisão inédita na história da Corte.

 

O caso envolve 52 mensagens enviadas ao ministro pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, nas semanas anteriores à prisão do empresário. Vorcaro é suspeito de comandar uma fraude contra o sistema financeiro.

 

O julgamento ocorre em meio ao aumento da desconfiança em relação ao STF. Pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira mostrou que 56% dos entrevistados afirmam não confiar na Corte, maior índice da série histórica.

 

O presidente do Supremo, Edson Fachin, assumiu a condução do procedimento no domingo. O caso estava sob a relatoria de André Mendonça. Fachin abrirá a sessão com a leitura do relatório e será o primeiro ministro a votar.

Ainda não está definido, porém, se o plenário chegará a analisar a autorização para investigar Moraes. O Supremo informou que Fachin deverá estabelecer o alcance do julgamento. Questões processuais ou um pedido de vista podem adiar a decisão.

O que será analisado

Uma das principais discussões será sobre a validade do relatório no qual a Polícia Federal identificou Moraes como destinatário das mensagens. A Procuradoria-Geral da República (PGR) considera o documento nulo por ter sido elaborado sem autorização prévia do plenário.

Aliados de André Mendonça argumentam que Moraes não foi investigado. Segundo eles, a PF apenas identificou o destinatário das mensagens durante a análise do celular apreendido e encaminhou a informação à PGR e ao Supremo.

 

Em ofício enviado a Fachin, Gilmar Mendes afirmou ter “sérias dúvidas” sobre a possibilidade de o caso ser julgado no atual “estágio processual”. Para o ministro, ainda faltam definições sobre o objeto da apuração, o rito e quem ocuparia a posição de investigado.

 

A expectativa é de um julgamento dividido. Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Flávio Dino devem atuar em defesa de Moraes, enquanto Fachin, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques podem se alinhar a Mendonça. Se Moraes não votar e Dias Toffoli se declarar impedido, Cármen Lúcia poderá ter uma posição decisiva.

 

Após o relatório de Fachin, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, poderá se manifestar. Moraes ou seu advogado também terá direito à sustentação oral. Depois do voto do presidente, os demais ministros votarão por ordem de antiguidade.

 

O STF reforçou a segurança para a sessão. Jornalistas acompanharão o julgamento por um telão instalado fora do plenário. Os credenciados terão que desligar e lacrar os celulares, além de passar por detectores de metais e equipamentos de raio-X.

 

Por Correio24horas

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