Bahia é o pior estado do Nordeste em eficiência de gestão pública, diz levantamento
Levantamento mostra Bahia como pior estado do Nordeste em eficiência de gestão pública Crédito: Arte CORREIO
A Bahia é o pior estado do Nordeste no quesito eficiência de gestão pública e um dos piores do Brasil, de acordo com dados da segunda edição do Ranking de Eficiência dos Estados – Folha (REE-F). O ranking foi desenvolvido pelo jornal Folha de S. Paulo em parceria com o instituto Datafolha.
O levantamento avalia a capacidade das gestões estaduais de transformar recursos públicos em entregas para a sociedade. Em uma escala de 0 a 1, a Bahia alcançou 0,301 ponto e ficou na 21ª posição entre os 26 estados analisados. O Distrito Federal não foi incluído no estudo.
Para medir a eficiência de cada estado, o estudo compara a Receita Corrente Líquida (RCL) per capita com os resultados obtidos em cinco áreas consideradas essenciais: educação, saúde, infraestrutura, segurança pública e finanças. A RCL corresponde ao volume de receitas efetivamente disponíveis para o governo após as obrigações previstas em lei.
Classificada como ineficiente em três áreas (educação, segurança pública e finanças) e fora do grupo dos 10 melhores em todos os indicadores, a Bahia aparece na parte de baixo do ranking geral. O estado baiano está à frente apenas de Amazonas, Pará, Roraima, Acre e Amapá e fica atrás de todos os demais estados do Nordeste.
Para o coordenador dos cursos de Gestão da Unijorge e pesquisador da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Adriano Araújo, os dados do ranking mostram a falta de planejamento das últimas gestões estaduais em transformar investimento em melhorias para a população.
“A gente vê verbas extremamente mal distribuídas ou destinadas de forma ineficiente, que mostram a não capacidade de gestão do estado, que chegou a um ponto muito crítico, onde ela não consegue estabelecer melhorias nem no curto, nem no médio, nem no longo prazo. Então, é uma gestão muito ruim e a gente perde muito com isso”, afirmou ele.
Longe dos líderes
No topo do ranking aparecem Paraná, com 0,734 ponto, Ceará (0,665) e São Paulo (0,637). Santa Catarina (0,612) e Piauí (0,596) completam o grupo dos cinco estados mais eficientes do país.
Três estados nordestinos figuram entre os dez primeiros colocados. Além do Ceará, na 2ª posição, e do Piauí, na 5ª, a Paraíba aparece em 6º lugar, com 0,561 ponto. Entre os estados da região com os piores resultados estão Alagoas, na 17ª posição, com 0,368, Rio Grande do Norte, em 20º, com 0,303, e a Bahia, em 21º, com 0,301.
Segundo o especialista Adriano Araújo, o baixo desempenho da Bahia não está necessariamente relacionado à falta de recursos, mas à forma como o dinheiro público é administrado. Para ele, a eficiência passa diretamente pela composição das equipes de governo e pela capacidade de gestão das secretarias.
“Nós estagnamos completamente e isso pelas escolhas técnicas das equipes de trabalho de cada secretaria estadual. Então, você tem essas montagens que são tratadas por questões políticas. As escolhas são por apadrinhamentos políticos e não se prioriza a questão técnica, com pessoas capacitadas para cada secretaria. Então, tem aí um período de muitos anos do mesmo governo, com um mesmo partido tomando conta e não tem evolução nessas questões”, apontou.
Lanterna na educação e penúltimo lugar em segurança
No levantamento da Folha de S.Paulo e do Datafolha, a Bahia, com 14,87 milhões de habitantes, aparece com o pior desempenho do país em eficiência na educação, com nota 0,165. O resultado se soma aos dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), divulgados em agosto pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
A Bahia tem o pior desempenho do país entre os estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental, do 6º ao 9º ano. No Ensino Médio, apresenta a pior avaliação do Nordeste e fica à frente apenas do Rio de Janeiro no cenário nacional. Os fluminenses ocupam a 24ª posição no indicador de Educação do REE-F.
O cálculo também considera as taxas de cobertura e atendimento escolar, como o percentual de jovens matriculados no Ensino Médio. Educação e Saúde têm peso dobrado na composição da nota final do REE-F, em razão da obrigatoriedade constitucional de aplicação mínima de recursos públicos nessas duas áreas.
Mesmo destinando 16,9% do orçamento à educação, a Bahia registra uma taxa de abandono escolar de 6,6% e baixo ingresso no ensino superior. Em 2024, foram 64,38 ingressantes por 100 mil habitantes, segundo os dados considerados pelo levantamento.
“Não adianta simplesmente ficar dizendo que tem colégios modelos e esses colégios não serem eficientes. Eu acompanho a rotina de alguns desses colégios que se dizem ‘turno-integral’, mas no contra-turno não vejo nenhum tipo de atividade, seja esportiva, de iniciação científica, de empreendedorismo. E os dados mostram isso, como nossa educação anda”, analisou Adriano Araújo.
Outro ponto crítico para a Bahia é a Segurança Pública. Segundo o levantamento, o estado apresenta a segunda pior eficiência do país na área, à frente apenas do Acre. O cálculo considera como principal variável a taxa de mortes violentas por 100 mil habitantes, usada para medir a capacidade do poder público de proteger a população e conter a criminalidade.
O REE-F mostra ainda que menos de 10% do orçamento estadual foi destinado à Segurança Pública. Em 2025, a Bahia registrou uma taxa de 36,8 homicídios por 100 mil habitantes, índice que ajuda a explicar o baixo desempenho do estado no ranking.
Por Correio24horas






Comentários